Domingo, Junho 14, 2009

A Casa Tradicional Japonesa


0s japoneses tiram os sapatos ao entrar em suas casas a nas alheias. Normalmente se usa chinelo (suripas) nas áreas sem tatame. Esta regra deve ser observada também pelos estrangeiros.

Na foto acima, observamos os elementos típicos de um quarto japonês tradicional: esteira de tatame cobrindo o chão, biombo recoberto de papel opaco (fusuma) escondendo o local des¬tinado a guardar os objetos, a um biombo de papel translúcido (shoji). À esquerda, no final, está o tokonoma, uma alcova decorativa. Pinturas japonesas, caligrafias, arranjos de flores, cerâmicas a outros adornos colocados no tokonoma mudam conforme a estação.

Arranjos Florais na Janela

A decoração das casas tradicionais japonesas é minimalista. Acima, o revestimento translúcido do biombo de papel (shoji) a um arranjo floral refletidos numa mesinha central.

Domingo, Maio 03, 2009

Um dia na vida do Fundador Morihei Ueshiba

Por Gaku Homma Sensei Nippon Kan Kancho

A cerimônia anual para lembra a passagem do Fundador do Aikido, Morihei Ueshiba está chegando. No Hombu dojo em Tokyo, no dia 26 de Abril de 1969, o Fundador fez sua passagem para os céus.

Na semana anterior eu havia retornado para a minha cidade natal, Aikita no nordeste do Japão. Aquela foi a última vez que eu teria visto o Fundador. Eu tinha dezoito anos de idade. O Anúncio de sua passagem alcançou-me em Akita e eu me dirigi imediatamente para Tóquio. Para mim, naquele tempo, mesmo uma passagem de trem estava além de meus meios. Minha família estava feliz por eu estar, finalmente, de volta ao lar, então eu não poderia pedir a eles dinheiro para partir novamente. Finalmente, com a coragem persistente que apenas os jovens possuem, eu saltei dentro do trem noturno para Tóquio sem nenhum tíquete.

Naquele tempo no Japão, a maioria das viagens longas eram feitas principalmente de trem. Os vagões que não haviam sido reservados estavam sempre lotados com corpos, caixas, baús e bagagens. Era fácil enganar o fiscal enquanto ele vinha coletar os tíquetes. Quanto mais longe se estava da estação de partida, se você olhasse cuidadosamente no chão e debaixo dos assentos, se podia, geralmente, encontrar um tíquete que alguém teria perdido. Se lembre que segurança e tecnologia há trinta anos atrás não eram, nem de perto, o que são hoje. Foi desse modo que eu viajei até Tóquio para a primeira cerimônia pela passagem do Fundador.

Há anos eu tenho tido conhecimento de dojos que comemoram esta data através da realização de Seminários. Para mim este é um dia de oração silenciosa e reflexão. Com a chegada do 33º aniversário da passagem do Fundador, eu gostaria de compartilhar com vocês algumas de minhas lembranças pessoais de ter vivido aproximadamente durante um ano antes da morte do Fundador. Minha irmã conservou cadernos que eu mantive durante aqueles anos, assim eu ainda conservo informações detalhadas a respeito de suas atividades diárias. Eu registrei até mesmo o que o fundador comia em um dia típico, o que compartilharei com você no final deste artigo.

Em 1968, com 85 anos de idade, o Fundador dormia em um novo aposento construído nas instalações do dojo de Iwama. Sua esposa Hatsu dormia no quarto ao lado. Longe do quarto principal havia um pequeno quarto onde a empregada Kikuno dormia. O aposento que servia de meu quarto não existe mais, tendo sido demolido após ser considerado além de reparo, devido o desgaste. Exceto por nós quatro, ninguém vivia naqueles aposentos naquela época. Diferente do dojo de Iwama de hoje, havia apenas poucos gasshukus (acampamentos de aikido) para encher o dojo com o movimento de olhos brilhantes de estudantes vindos de longe.

Saito Shihan e sua família viviam em uma casa separada em frente. Naquele tempo a família de Saito Shihan não tinha um restaurante ou outro tipo de negócio eles realizavam apenas serviços de lavanderia. Naqueles dias era convenção o encanamento ficar do lado de fora da casa e o banheiro das famílias ficava adjacente à casa. Do lado de fora do banheiro havia uma makiwara (um poste envolto com enchimento utilizado por karatekas para treinar socos). Durante um seminário que Saito Shihan realizou em Denver em um ano, ele nos disse que quando ele era jovem praticava karatê. Eu o perguntei porque a makiuara estava colocada do lado de fora do banheiro. Ele nos disse que como parte de seu regime de treino pessoal, ele costumava socar a makiuwara dez vezes toda vez que ele ia utilizar o banheiro e dez vezes toda vez que ele saía.

Em 1968, o terreno entre a estação de trem de Iwama e o dojo foi florestado com castanheiros e bambus. Em abril os castanheiros entrariam em floração, espalhando um forte cheiro de castanhas pelo ar, Bambus, com mais de quatro polegadas de diâmetro iriam brotar em todo o lugar, às vezes no meio da sujeira de estradas apertadas. Nativos da região também são os pessegueiros cuja florescência dão o toque da primavera. Hoje casas e comércios substituíram muitos dos castanheiros e das florestas de bambu.

Quando o Fundador estava em Iwama ele ensinava a maioria das classes noturnas no dojo. O treino noturno começava às 19:00, que ele dirigia após ter jantado aproximadamente às 17:00. O fundador geralmente não tomava seu banho à noite. Ele costumava tomar seu banho bem cedo de manhã. Devido a sua idade a dieta do Fundador era simples. Ele sempre fazia suas refeições com sua esposa Hatsu. O casal parecia apreciar suas refeições em conjunto, e o Fundador algumas vezes brincava. Com seus pauzinhos ele costumava pegar um bocado de comida e colocava no prato de sua mulher. “Omahan tabe yoshi” (aqui, você coma isso) ele costumava brincar em seu dialeto local Kishu. Ela, brincando, costumava pegar de volta o bocado e recolocá-lo em seu prato exclamando, “Não, você come isso”. Era um gracejo suave entre os dois. Embora a dieta do Fundador fosse simples, ele, ocasionalmente, também apreciava comidas “modernas” tais como arroz com curry. O Fundador costumava comentar que o curry era um bom digestivo, e proporcionava um bom movimento intestinal.

O Fundador e a sua esposa tinham suas refeições em um aposento localizado diretamente atrás do altar do dojo. O Aposento era simples com um chão de madeira. Uma pequena mesa de madeira de aproximadamente noventa por sessenta centímetros de largura com pernas dobráveis de dez polegadas colocadas para todo o tipo de refeição. Nós quatro fazíamos nossas refeições juntos. Os cômodos eram próximos, e para mim era difícil comer de forma relaxada, estando tão perto do Fundador enquanto ele comia. Kikuno e eu sempre nos sentávamos formalmente com colunas retas, executando os nossos melhores modos.

Em um canto do pequeno aposento havia uma pia minúscula de sessenta por trinta centímetros de largura. A pia tinha apenas uma torneira da qual só saía água fria, a única água quente das instalações tinha que ser aquecida à mão antes de ser servida. O Fundador também utilizava esta pia para limpar seu rosto e escovar seus dentes. As acomodações de Iwama eram muito simples, a única pia com água fria servia ao mesmo tempo para a limpeza da cozinha e para lavagens em pé. Ao lado da pia havia um pequeno fogareiro de gás propano onde refeições simples eram preparadas.

Hoje as acomodações do Doshu da terceira geração, o neto de Morihei Ueshiba, estão muito longe das rústicas e simples acomodações nas quais o Fundador vivia. Antigamente não havia, obviamente, rádio ou televisão. O Fundador geralmente se retirava para dormir antes das 21:00 todas as noites. Em abril as noites, às vezes, costumavam ser frias e, no entanto, o Fundador recusava usar um cobertor elétrico. Ele dizia que a eletricidade lhe causava coceira. (Refletindo agora, isso deveria ser uma causa da condição de seu fígado). Ao invés de usar um cobertor elétrico, Kikuno, a empregada, costumava se deitar no colchão para aquecê-lo antes que o Fundador se deitasse. Enquanto Kikuno aquecia o colchão, era meu trabalho massagear os pés do fundador ou sentar em seiza ao lado de sua cabeça e ler em voz alta para ele o texto da Omoto Kyo; Rei Kai Monogatari.

O Fundador acordava todos os dias antes das seis da manhã. Se ele não tomasse um banho completo, ele lavava seu rosto na pia, de pé, com água fervente misturada com água da torneira. A sua escovação dentária era feita com cerdas de porco, e ele utilizava sal ou uma pasta de dente branca em pó. Uma de minhas tarefas era a de pegar sua dentadura e colocá-la em um pequeno prato para ele. Eu acho que não existem muitas pessoas nesse mundo que viram o Fundador sem a sua dentadura. Após depositar sua dentadura a minha próxima tarefa era a de ajudar o Fundador enquanto ele lavava o seu rosto. Com uma toalha limpa e seca, presa do lado esquerdo de meu cinto, eu costumava me ajoelhar atrás dele junto a pia para segurar as mangas de seu quimono para trás Isto era para assegurar que as mangas de seu quimono não ficassem molhadas. Eu me ajoelhava atrás dele porque eu era mais alto do que ele, Se eu ficasse em pé atrás dele ele poderia bater com sua cabeça em meu peito quando ele se levantasse depois de se lavar.

Se o Fundador fosse tomar um banho completo no outro dia de manhã, meu dia começaria totalmente diferente.

Em dias de banho eu costumava acordar às 5:00 da manhã para começar a queimar a madeira que iria aquecer a água para o banho. A casa de banho consistia em uma plataforma de madeira elevada e cercada com um grande tonel de metal onde era depositada água fria. O fogo era acesso da parte de fora da casa de banho diretamente embaixo do tonel. Conforme a água era aquecida o fundo do tonel poderia ficar tão quente a ponto de não se poder suportar. O tonel possuía uma treliça de madeira que era utilizada para se levantar, ou podia-se calçar (um par de) geta (sapatos de madeira) dentro da banheira! Em japonês, essas banheiras de metal eram chamadas de goemonburo. Originalmente a palavra se referia a um famoso arrombador chamado Goemon Ishikawa que foi cozinhado vivo em um tonel de metal como punição pelos seus crimes. Até mesmo durante a década de sessenta, goemonburo era muito comum na maioria das casas. Hoje são poucas as existentes. Em um banho que tenha sido preparado recentemente, a água é cortante e um pouco dolorosa. Para suavizar a água, Kikuno, a empregada, costumava entrar na banheira primeiro para “massagear ou misturar a água”. Isso, em japonês, é chamado yumomi.

Depois que o Fundador entrava na banheira era trabalho de Kikuno ou meu próprio o de esfregá-lo. No passado o Fundador havia sido um homem musculoso, então, na sua idade, sua pele pendia frouxamente. Sem utilizar sabonete, eu costumava segurar suavemente seus músculos para baixo e esfregava sua pele com movimentos para cima utilizando uma toalha de mão.

Enquanto eu cuidava do fogo, não era permitido que eu me sentasse ociosamente por perto. Enquanto o fogo ardia eu deveria varrer os caminhos em frente ao dojo e do santuário com uma grande vassoura de bambu. Geralmente do meio para o final de março, o caminho para o santuário estava coberto de flores de cerejeira. Quando as flores caíam eu não varria o caminho de modo a não perturbar a beleza natural das flores espalhadas. Em todas as outras estações eu costumava varrer de modo a deixar marcas padronizadas da varredura.

Conforme o Fundador passava pelas marcas recém feitas pela vassoura no caminho, suas pegadas eram as únicas que podiam ser vistas. De vez em quando, crianças costumavam passar correndo pelas marcas frescas de minha vassoura em suas brincadeiras antes da escola. Isso costumava me enfurecer uma vez que fazia parecer que eu não tinha realizado minhas obrigações de forma adequada. Simbolicamente era importante varrer todas as manhãs para eliminar qualquer má sorte ou maus espíritos antes que o Fundador começasse suas orações cerimoniais pela manhã. O kimono formal do Fundador e o seu hakama eram sempre dispostos para ele assim que ele terminava o seu banho. Era também minha obrigação ajudá-lo a se vestir para a cerimônia que se seguia.

Fizesse sol ou chovesse o fundador realizava sua cerimônia matinal. Se estivesse chovendo, Kikuno e eu costumávamos segurar um guarda-chuva para que ele se protegesse. Claro, Kikuno e eu não tínhamos guarda-chuvas. Carregando uma pequena travessa chamada sambo, provida de três pequenos pratos; um contendo sal, um arroz e o outro contendo água, o Fundador tomava energeticamente o caminho do Santuário Aiki. Seu passo era seguro e vigoroso e seu equilíbrio perfeito enquanto ele segurava o sambo diante dele. Você pode perceber na fotografia acima que seu hakama movia-se firmemente com o seu andar, era difícil acreditar em horas como essa que ele tinha 85. Eu sempre achei curioso que, nas vezes em que acompanhei o Fundador ao Hombu dojo em Tóquio, ele andasse tão vagarosamente e de forma tão débil. Refletindo agora, eu acredito que ele estava apenas fingindo. Eu escrevi um artigo sobre isso há vinte anos atrás na revista Black Belt, mas isso é uma outra história, para um outro dia.

Conforme o Fundador se aproximava do Santuário Aiki ele passava embaixo do portal do santuário ou tori. Na condição de auxiliares, Kikuno e eu não tínhamos permissão para passar diretamente sob o portal, então nós dávamos a volta pela direita e corríamos para chegar na frente para abrir o santuário. Nós costumávamos destrancar a porta do santuário no lado direito do honden (construção principal), entrar, e se apressar para abrir as portas deslizantes da frente do santuário para o Fundador. Uma vez tendo entrado no honden, nós silenciosamente fechávamos a porta atrás dele. Na parede oposta, atrás do santuário havia outra porta corrediça que nós abríamos para revelar uma visão do okuden, que era uma pequena estrutura que abrigava o santuário principal. Depois de encontrarmos nossos lugares próximos à entrada do santuário, nós acendíamos velas. O Fundador, geralmente, passava aproximadamente vinte e cinco minutos orando nessa cerimônia matinal. Uma vez por mês havia uma cerimônia especial chamada Tsukinami Sai. Essa cerimônia durava até uma hora, e o santuário era adornado com ofertas de frutas, vegetais, frutas secas e peixe. Nenhum produto animal era jamais utilizado como parte dessa oferenda especial.

Durante essa cerimônia diária regular. Kikuno e eu sentávamos da maneira mais silenciosa possível em seiza com nossas cabeças bastante curvadas mas não encostando no chão. Esta posição era dolorosa para os joelhos e muito difícil de se manter. Na minha idade eu não entendia o que as orações que o Fundador recitava significavam, então me manter concentrado era uma luta. Apenas quando o Fundador utilizava um jo em uma oferta de jo no mai, ou movimento de jo, a minha tenção era focada. O jo que ele utilizava era maior do que um jo comum, e era afiado em uma das pontas. Se parecia com a ponta de uma lança que tivesse sido cortada diagonalmente com uma espada. Se ele não utilizasse um jo, ele, as vezes, utilizava um shaku, que é um instrumento de madeira em forma de remo, liso, utilizado em cerimônias Shinto. Ele costumava executar movimentos com o shaku como se fosse uma tsurugi (uma espada dos deuses de acordo com a tradição Shinto).

Depois que o Fundador terminava suas preces matinais no templo Aiki, ele geralmente se dirigia para a frente do quintal do dojo onde ele costumava parar para orar em um hokora (pequeno templo) dedicado ao deus Ushitora no Konjin. Este deus era o deus pessoal do Fundador, que ele sempre carregava consigo. Quando suas viagens o levaram para Hokkaido, ele levou esse deus com ele e dedicou um novo templo chamado o Kami Shirataki Jinja, na vila Shiratake que ele fundou ali. Embora soe como se o Fundador estivesse carregando com ele algo tangível, na verdade não era, era o espírito do deus que ele carregava.

Para concluir sua cerimônia matinal o Fundador ficava de pé, segurando o seu shaku e olhava diretamente para o sol. Não importava se o dia estava claro ou obscurecido pelas nuvens, ele levantava sua face em direção ao sol e o contemplava diretamente. Ele costumava oferecer preces para Amaterasu O Kami, o deus Shinto do sol. Eu achava aquilo algo incrível e tentava imitar suas ações. Eu nunca fui capaz de olhar diretamente para o sol durante muito tempo, era muito brilhante para que meus olhos suportassem. Hoje eu acredito que o olhar poderoso que o Fundador possuía se desenvolveu com a prática diária desse ritual. Depois disso era hora de preparar o café da manhã.

Hoje, no dojo de Iwama há um estacionamento e uma cozinha para os uchideshi onde costumava ser a horta do Fundador. Esta horta era cultivada para o consumo da família e era tratada cuidadosamente. Depois de terminar sua cerimônia matinal, o Fundador, ainda vestido com seu kimono formal e hakama, costumava se dirigir para a horta. Em abril havia nira, nanohana, daikon and kabu jovens prontos para serem retirados. O Fundador costumava examinar as plantas cuidadosamente e me dizia quais poderiam ser retiradas para os pratos de acompanhamento do dia. Nos não estávamos colhendo as hortaliças, sendo apenas abril, elas estavam muito pequenas. No entanto elas precisavam ser podadas ou retiradas para que as hortaliças que ficassem crescessem fortes. Eu me lembro do Fundador me ensinando que após retirar algumas das nira, se deveria pisar na planta que havia permanecido e então encharcá-la com a água que havia sido utilizada para lavar o arroz. Isso garantiria um renascimento saudável.

O café da manhã consistia principalmente de um congee (um mingau de arroz suave) com mochi (pedaço de bolo de arroz moído). Ele adorava mochi e às vezes comia puro, mas costumava agarrar em sua dentadura, então na maioria das vezes o mochi era cozido com o congee para amaciá-lo. Os pratos de acompanhamento e se constituíam de folhas novas de vegetais tirados da horta e preparados de maneira bem simples. O Fundador não retirava o seu kimono formal nem seu hakama antes do seu café da manhã. Para ele realizar essa refeição era parte de sua cerimônia matinal.

Depois do café da manhã, para mim e para Kikuno, era hora de realizar as tarefas domésticas e afazeres da manhã enquanto o Fundador descansava. Há poucas quadras do dojo, o Fundador possuía uma horta de arroz. Cuidar dessa horta era uma de minhas tarefas diárias. Nunca sabendo quando o Fundadar poderia chamar a mim e a Kikuno para a prática de Aikido, em todo o caso, eu sempre vestia a parte de cima do meu keiko-gi com minhas calças de trabalho.

Se fosse um dia agradável, algumas vezes o Fundador costumava se sentar junto de uma janela aberta e ler seu jornal no calor do sol da manhã. Ou, em dias especialmente agradáveis, ele costumava abrir as portas corrediças do dojo e se deitava no tatame sem o seu hakama e tirava uma soneca no sol. O segundo Doshu, Kisshomaru Ueshiba disse, em sua biografia, que ele nunca havia visto o Fundador em outra postura que não fosse sentado formalmente em seiza. Em Iwama, o Fundador que eu conheci tirava soneca no sol como qualquer homem de idade avançada.

Mesmo quando ele estava dormindo, nós mantínhamos nossos olhos e ouvidos abertos e sempre sabíamos onde ele estava e o que ele estava fazendo. Se ele nos chamasse, nós largávamos qualquer coisa que estivéssemos fazendo e corríamos para assisti-lo. Kikuno costumava mesmo dizer que eu dormia com um olho aberto! Nós vivíamos atentos, vinte quatro horas por dia.

Se ele estivesse se sentido bem, o Fundador nos chamava para praticar Aikido. Vestido com seu kimono, ele gostava de praticar especialmente suwarewaza—shomen uchi ikkyo, e de pé, ai hanmi katatetori iriminage omote. Ele nos instruía em como nos ajustar como uke.

Tendo tomado café da manhã aproximadamente às 9:00 da manhã, o Fundador não almoçava. Kikuno e eu, no entanto, costumávamos estar esfomeados, especialmente depois de praticar e geralmente comíamos as sobras do café da manhã. Nós costumávamos fazer porções extras para o café da manhã para assegurar que teríamos sobra o suficiente para o almoço.

Durante as tardes o Fundador se engajava em diferentes atividades. Na primavera, eu me lembro do Fundador e de sua esposa Hatsu plantando amendoins no jardim. Hatsu era curvada quase à metade com o peso da idade, mas ele ainda era muito habilidoso com uma enxada. Ela costumava formar fileiras para plantar habilmente manejando a enxada à sua frente. Meu trabalho era o de acrescentar adubo fresco nas fileiras para que estivessem ricas para o plantio. O Fundador seguia, empurrando os amendoins precisamente dentro da terra fresca com uma pressão de seu polegar e dedo indicador. Pensando sobre isso agora, sua habilidade em plantar amendoins veio dos longos anos de residência em Hokkaido e dos anos que ele coordenou o plantio e a colheita das plantações da Omoto Kyo. Geralmente, uma vez por mês, o Fundador costumava visitar o Hombu dojo em Tóquio. Se fosse para ser uma longa visita, ele geralmente permanecia quatro ou cinco dias. Nas manhãs em que ele iria partir para Tóquio ele costumava terminar suas cerimônias um pouco mais cedo. Na primavera ele costumava enfaixar folhas frescas de daikon, nanohana, nira, e shungiku para levar na viagem. Depois de terminar o café da manhã, ele tomava um taxi para a estação. Mesmo se estivéssemos atrasados nós sempre chegávamos pelo menos meia hora antes do trem chegar. Algumas vezes chegávamos uma hora antes da partida do trem. Iwama era uma cidade pequena com uma pequena estação. Apenas o trem local parava em Iwama. Para pegar o trem expresso para Tóquio nós tínhamos que fazer baldeação em uma estação maior. Eu carregava a bolsa de couro de médico do Fundador que havia sido dada a ele em uma viagem ao Havaí, em uma mão. Nas minhas costas estava o feixe de vegetais amarrados dentro de um furoshiki. Eu sempre andava na frente do Fundador para protegê-lo durante o caminho. De vez em quando, quando nos mudávamos para o trem expresso, eu tinha problemas em encontrar um assento para o Fundador. Nessas ocasiões eu pegava um estudante de uniforme que já havia encontrado um lugar e o “convencia” a dar o seu lugar para o Fundador. Eu era muito bom em “convencer” naqueles dias! De qualquer modo existem muitas histórias a respeito de viajar como otomo com o Fundador, mas essas também são para outro dia.

Naquele tempo não havia uchideshi vivendo no Hombu dojo. Eu quero que isso fique claro. A única pessoa vivendo no Hombu dojo era o Sr. Mitsuo Tsunoda, que servia como zelador e apoio quando o Fundador visitava. Ele não praticava Aikido.

Recentemente eu tenho visto propagandas de instrutores que afirmam terem sido uchideshi no Hombu dojo do Fundador naquele tempo. Isto não é verdade. Por pelo menos três anos antes da passagem do Fundador não havia ninguém morando no Hombu dojo. De qualquer modo o Fundador não vivia no Hombu dojo. Os únicos Hombu uchideshi foram estudantes do segundo Doshu, Kisshomaru Ueshiba, e eram estudantes auxiliares assalariados.

Se passaram trinta anos desde a passagem do Fundador, e eu tenho agora cinqüenta e três anos de idade. Minhas percepções daquela época e de agora obviamente mudaram com o tempo. Eu tenho agora uma visão mais ampla de minha experiências de quando eu tinha quando era mais jovem. Eu tive uma grande sorte em fazer parte da vida do Fundador de outras maneiras além do Aikido. Por essa razão, minha memória e visão sobre ele é diferente da maioria. Eu assistia o Fundador quando ele ia ao Hombu dojo em Tóquio. Ali, ele era o “presidente da compania” ou CEO, e ele agia como um naquelas ocasiões. Em Iwama, eu testemunhei a vida privada de um homem chamado Morihei Ueshiba, um bondoso gentleman de idade que tirava sonecas ao sol, e plantava amendoins com facilidade. Eu acho que o Fundador real foi o que eu conheci em Iwama.

O Fundador foi uma pessoa muito especial na minha vida, e muito influente no direcionamento que a minha vida teve. Eu tenho agora vivido nos Estados Unidos por aproximadamente vinte e oito anos. Em todos esses anos, com apenas meu dojo para cuidar, eu nunca organizei um “seminário em memória do Fundador” ou qualquer outro evento comercial para comemorar a sua passagem. Para mim este é um momento muito particular de reflexão.

Alguns meses atrás eu recebi um panfleto anunciando um “seminário em memória do Fundador” de outro dojo. O folheto tinha uma foto do Fundador do tipo passaporte que você podia destacar e colocar em sua carteira como um souvenir. O que me fazia lembrar uma amostra de perfume em uma revista de glamour. Eu reconheci a foto. Ela havia sido tirada em maio de 1968. Eu estava com ele como seu otomo quando a fotografia foi tirada. Ela foi tirada quando o Fundador chegou ao Hombu dojo e estava sendo saudado pelos seus estudantes. Ele estava vestido formalmente, como de costume, em seu kimono e o Sr. Tsunoda foi quem fotografou. Eu ainda tenho uma das originais.

A única foto do Fundador que eu tenho em meu dojo é aquela que está pendurada no altar do dojo. A única razão de eu ter uma foto do Fundador é mostrar aos estudantes como ele se parecia. Eu nunca utilizei sua imagem, de nenhuma forma, por razões comerciais. Eu o conheci pessoalmente e seria contra meus princípios agir dessa forma. Aqueles que utilizam sua fotografia (para outros fins) não o conheceram.

Como Aikidoístas, nós precisamos pensar a respeito da origem dessa arte que praticamos Nós precisamos voltar à simples compreensão do Aikido, uma renascença do Aikido se vocês desejarem, para não nos esquecermos de nosso caminho.

Tão logo este artigo seja terminado e traduzido, eu viajarei ao Japão para visitar o Templo do Aikido em Iwama para a cerimônia anual em memória do Fundador, Tai Sai. Com grande agradecimento, eu irei e prestarei meus respeitos ao Fundador. Eu curvarei minha cabeça para orar por ele. É uma peregrinação ao meu passado... e ao meu futuro.

Jardim Japonês em Belo Horizonte




Locais Interessantes Ligados ao Japão no Brasil: Jardim Japonês em Belo Horizonte

0 Jardim Japonês de Belo Horizonte, na Fundação Zoo-Botânica, situa-se em uma área de 5.000 m2 a foi construído em 2008, em homenagem ao Centenário da Imigração japonesa no Brasil. Possui árvores típicas, pontes a lanternas, um lago com peixes, cascatas artificiais e a reprodução de uma típica casa de chá japonesa. Recebe aproximadamente 100 mil visitantes ¡mês a já teve a honra de receber a visita de Sua Alteza o Príncipe Herdeiro do Japão.

Fonte: Revista Japão Atual

Festival de Hokkaido



A Ilha de Hokkaido, localizada no extremo norte do Japão, apresenta temperaturas que no inverno podem chegar a 20 graus abaixo de zero. É a região do Japão em que mais cai neve no período de dezembro a fevereiro.
Um festival que acontece em Sapporo, Hokkaido, no início de fevereiro, apresenta um concurso de esculturas de neve a de gelo. Festivais semelhantes são realizados também no norte do Japão.

Sábado, Maio 02, 2009

1o o processo, não o produto

Este texto tem ligação com a vida como um todo. Mas se pensarmos em termos de Aikido: As pessoas devem parar de preocupar-se tanto com graduações, e obte-las por conseqüência do caminho que vão percorrendo na arte....

O processo é tão importante quanto as metas

O mundo moderno vem supervalorizando as metas. Todas as nossas ações são orientadas para o resultado, seja na vida profissional ou na pessoal. O problema de levar a vida dessa forma é que a meta é apenas um pequeno momento, que é atingida geralmente após um longo processo.

Se só ficamos felizes quando atingimos nossas metas, então seremos felizes por muito pouco tempo relativamente falando.

Um modo mais sábio de encarar a vida é valorizar o processo. Perder 10 quilos é uma meta louvável: fez bem para a saúde, para a beleza, para a autoestima etc. Só que isso não ocorre da noite para o dia. Para perder 10 quilos, é preciso perder um quilo antes. Quinhentos gramas antes. Um grama antes.

Cada ponto do processo deve ser aproveitado. Dele devem-se extrair lições, assim como quando se atinge a meta. O ponto final, na verdade, deve ser apenas mais um, o que fecha o processo. Mas ele é tão importante quanto os outros.

Não existe um caminho para a felicidade, para a realização. A felicidade é o próprio caminho.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Viagem aos templos japoneses

Conheça os lugares sagrados que contam a história do Japão


por Yayoi Wada
03.01.2006

Fonte: revista made in japan

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0103_templo_02.jpgNos templos xintoístas, é possível presenciar os rituais realizados pelos sacerdotes, especialmente no oshougatsu, o Ano-Novo japonêsEspalhados por todo o arquipélago japonês, os templos são mais que uma expressão do xintoísmo e do budismo, as duas maiores religiões do país. Presentes tanto na agitação dos grandes centros urbanos, como Tokyo, quanto nas ilhas paradisíacas, como Miya-jima, os cerca de três mil templos japoneses são símbolos da cultura e da identidade nacional.


Uma das maiores manifestações populares do país é o hatsumode, a primeira visita do ano a um templo budista ou xintoísta, que acontece no Oshogatsu, o Ano-Novo japonês. Na primeira semana de janeiro, os templos ficam lotados de pessoas que fazem ora­ções para garantir saúde e sorte para o ano todo. Além do aspecto religioso, os templos também são pontos turísticos importantes, pois revelam a riqueza da arqui­tetura e arte japonesas. Conheça a seguir templos que, pe­la cons­trução única e beleza, con­­tam a história do Japão.











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Acima: o templo Todai-ji, em Nara; uma japonesa reza no oshougatsu; fiéis visitam o templo de Asakusa, em Tokyo; e multidão se aglomera para fazer orações no dia 1º de janeiro


Herança histórica

Fonte: Organização Nacional de Turismo JaponêsO templo xintoísta de Yasaka, um dos mais belos de KyotoO templo xintoísta de Yasaka, em Kyoto, é um exemplo remanescente de 1868, época em que xintoísmo e budismo andavam juntos. Um portal em estilo budista com dois andares guarda a entrada do templo em vez dos habituais toriis. Uma das maiores atrações do templo ocorre em julho, quando Yasaka abriga o festival de Gion, um dos mais belos espetáculos de Kyoto, surgido no século 14 para purificar e livrar a população do calor e umidade do verão.


Como chegar

Endereço: Kyoto-shi Higashiyama-ku Gionmachi Kitagawa 625

Telefone: (00xx81) 075-561-6155


Acesso: 8min a pé da estação Kawaramachi, da linha Hankyu

Horário: das 8h às 18h

Entrada: gratuita


Espetáculo sobre o mar


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O torii situado em pleno mar, em meio à na­tureza deslum­brante da ilha de Myia-jima, faz do templo Itsu­kushima um dos mais belos do país. Desde o século 6, divindades mari­nhas eram veneradas no local, mas foi somente em 1168 que o templo ganhou todo seu esplendor. Itsukushima é chamado de templo flutuante porque, à noite, seus corredores suspensos ficam iluminados por lanternas, em um espetáculo incomum. A maioria dos turistas fica apenas metade do dia na ilha. Sorte daqueles que pernoitam no local, pois podem aproveitar um visual quase místico.



Como chegar

Endereço: Hiroshima-ken Saiki-gun Miyajimacho 1

Telefone: (00xx81) 0829-44-2020

Acesso: de Hiroshima, é possível chegar à ilha de ferry por 1,4 mil ienes

Horário: das 6h30 às 18h


Entrada: 300 ienes


Buda gigante


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Imponente, o templo de Todai-ji foi cons­truído em 745, pelo im­perador Shomu. Apesar de atual­mente restarem apenas dois terços do original, o Todai-ji ainda é consi­derado a maior construção em madeira do mundo. O grande portão sul do templo, Nandai-mon, é guardado por dois deuses, cada um com 7 metros de altura. No hall prin­cipal, está a ima­gem de Ru­shana Buddha, o Daibutsu, a maior estátua em bronze do Japão, que foi recons­tituída inú­meras vezes por cau­sa de terre­motos e incên­dios, mas ainda impressiona.


Como chegar

Endereço: Nara-ken Nara-shi Zoushicho 406-1

Telefone: (00xx81) 0742-22-5511


Acesso: 15min a pé da estação de Nara, da linha Kintetsu

Horário: das 7h30 às 17h30

Entrada: 400 ienes


Monumento restaurado


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Construído em 1895, o templo Heian Jingu homenageia dois imperadores: Kammu, o responsável pelo estabe­leci­mento da capital de Heian, e Komei, o últi­mo imperador a governar da cidade de Kyoto e que, em 1938, após um movimento popular, passou a ser reve­renciado no templo xintoísta. Em 1940, o Heian foi restaurado, e, em 1979, passou por novas reformas. Hoje é um dos pontos turísticos mais importantes de Kyoto. O estilo chinês da cons­trução chama a atenção dos turistas, com grandes halls em laranja e branco.



Como chegar

Endereço: Nishi Ten-o-cho, Okazaki, Sakyo-ku, Kyoto 606-8341

Telefone: (00xx81) 075-761-0221

Fax: (00xx81) 075-761-0225

Acesso: 10min a pé da estação, pelo metrô Higashiyama, ou de ônibus, em direção a Higashioji-dori


Horário: das 8h30 às 16h30

Entrada: gratuita


Templo das Águas


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Um dos templos mais visitados de Kyoto, o Kiyomizudera chama a atenção por possuir uma plataforma de ma­deira que fica sus­pensa sobre um vale. Sua cons­trução é bastante antiga, datando de 778, quando um monge visio­nário encon­trou uma fonte de águas claras, kiyomizu. Até hoje, acredita-se que a água da cachoeira de Otowa, que corre no tem­plo, pode curar doenças. Uma atra­ção pró­xima ao tem­plo budis­ta é o Jishu-jinja, um tem­plo xintoísta fa­moso entre na­morados que querem tes­tar seu amor.


Como chegar

Endereço: Kyoto-shi Higashiyama-ku Kiyomizu


Telefone: (00xx81) 075-551-1234

Acesso: as paradas de ônibus próximas são Kiyomizu-michi ou Gojo-zaka, na avenida Higashi-oji-dori

Horário: das 6h às 18h

Entrada: 300 ienes


Estilo grandioso


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Localizado em Nikko, cidade turística próxima a Tokyo, o templo de Toshogu foi cons­truído no século 15, atendendo a um pedido feito em tes­tamento por Tokugawa Ieyasu, o primeiro xogum e unificador do Japão, morto em 1616. A construção teve início no ano seguinte, mas Iemitsu, o terceiro xogum do clã Tokugawa, achou que o local não estava à altura da notoriedade de seu avô e deu ordem para que recebesse uma decoração ainda mais grandiosa. As obras foram concluídas em 1634, resultando em um design e estilo únicos. O templo de Toshogu é um dos mais visitados do país.


Como chegar

Endereço: Ibaraki-ken Nikko-shi Yamauchi 2280

Telefone: (00xx81) 0288-54-0560

Acesso: 15min a pé das estações de Nikko, das linhas Tobu ou JR

Horário: das 9h às 17h


Entrada: por 900 ienes, é possível visitar dois templos xintoístas e um budista nas proximidades


Ponto turístico de Tokyo


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Ponto de encontro de turistas de várias partes do mundo, o templo Senso-ji, também conhe­cido como Asakusa Kannon, é um ver­dadeiro cartão-postal da capital ja­ponesa, com suas lanternas enormes decoradas e o portão laqueado de ver­melho na entrada sul. Fundado no século 17 em homenagem a Kannon, a deusa da Piedade, o templo budista tem seus portões guardados pelos deuses Raijin, deus do Trovão, e Fujin, deus do Vento, no Portão do Trovão, ou Kaminari-mon. Ao norte do Asakusa Kannon, está o portão Hozo-mon. Guardiões dos tesouros do templo, sutras chineses do século 14, são ainda mais imponentes que os do Portão Kaminari-mon.


Como chegar

Endereço: Tokyo-to Taito-ku Asakusa 1

Telefone: (00xx81) 03-3842-0180


Acesso: estação de Asakusa, das linhas de metrô Toei Asakusa ou Ginza

Horário: das 6h às 17h

Entrada: gratuita

IRORI



Durante o inverno no Japão, janeiro e fevereiro são os meses mais frios do ano. Nessa época a temperatura varia de região a região, mas de modo geral fica próxima de zero grau até durante o dia, com neve na região nordeste don país.

Irori é um buraco (uma espécie de lareira no chão) feito no piso em casas de estilo japonês (minka). Geralmente o irori tem o formato quadrado, com aproximadamente 1 metro quadrado.

Além de servir como aquecedor e para clarear o ambiente, era também usado para cozinhar: JIZAIKAGI. Freqüentemente, era construída uma prateleira acima do irori, permitindo que o seu calor também fosse aproveitado para esquentar comidas.

Domingo, Abril 05, 2009

A progressão das técnicas do Aikido de básicas a avançadas

A progressão das técnicas do Aikido de básicas a avançadas

por George Ledyard

Published Online


Uma área de muita confusão no Aikido é a relação entre a prática avançada e os fundamentos básicos da técnica. A visão de Morihei Ueshiba andando imperturbável rodeado por atacantes que parecem incapazes de tocá-lo e que, ao contrário, voam em todas as direções com pouco ou nenhum contato físico, é a que a maioria dos praticantes de Aikido tem visto.

O Interessante é que não existe um consenso geral ou ponto de sobre o que o O-Sensei, Fundador do Aikido, estava realmente fazendo quando ele apresentava o seu Aikido ao público. Entre tantos estilos diferentes de Aikido e entre um grupo ainda maior de instrutores, muitos dos quais tendo treinado com o próprio Fundador, quase não existe um consenso sobre quando e como a arte progride de suas bases, que diferem pouco de estilo para estilo ou instrutor para instrutor, para o nível "Avançado".

Para alguns professores Aikido "avançado" se parece muito mais com as suas próprias bases fundamentais, mais simples e suave, muito menos esforço, fluindo como a corrente de um rio de técnica em técnica. Aqui, avançado parece simplesmente indicar o nível de não–esforço e relaxamento alcançado por um praticante ao lidar com ataques sinceros iniciados por um parceiro / oponente. Mas parece que não há nenhuma tentativa por parte desses professores de "perder a forma" como o Fundador claramente demonstrava. Outros professores parecem ter tomado Morihei Ueshiba aos oitenta para representar a quinta essência do Aikido, e esses professores têm tentado duplicar a ausência de forma exibida pelo Fundador no fim de sua carreira. Esses professores dão mais importância em serem sensitivos a cada mudança de energia, física ou psíquica, do parceiro do que em desenvolver uma técnica forte e boa. Alguns, de fato, menosprezam o poder do treino físico indo de encontro à intenção do Fundador.

O problema com ambas as abordagens é que o Aikido para O-Sensei era um processo que continuou até o momento de sua morte. Aqueles que tentam capturar um determinado momento na vida do Fundador no qual ele estava praticando um Aikido "ortodoxo", inevitavelmente falham em compreender as fundações em que estavam apoiadas o Aikido daquele período particular, o que, para ele, representou décadas de treinos constantes. Eles também escolheram ignorar tudo o que o Fundador desenvolveu depois daquele ponto no tempo. Fazer isso parece ser mais fruto de uma preferência pessoal do que algo que esteja embasado em uma justificativa qualquer.

Aqueles que desejam pular diretamente para o final da carreira do Fundador e fazer de suas últimas técnicas avançadas o modelo de sua própria prática, estão tentando entender uma arte sem entender as fundações sobre a qual o edifício repousa. Alguns professores sustentam que nós não devemos re-inventar a roda, uma vez que o Fundador fez a maior parte desse trabalho para nós, então não deveríamos nos preocupar. Esse argumento poderia ter alguma solidez se houvesse algum exemplo na realidade. No entanto, eu nunca encontrei um único exemplo no qual alguém tenha alcançado um nível assombroso em sua técnica sem ter tido experiência em treinos físicos bastante duros. Tentativas de transmitir o seu entendimento aos seus alunos sem fazer com que eles passem pelo mesmo processo, em minha própria experiência, falharam completamente. A razão para isso parece bastante óbvia em cada enfoque, toda a epifânia que leva a um salto qualitativo no nível do treino parece estar baseada na firme fundação do entendimento de um conhecimento anterior. Eu mesmo tenho visto alunos pulando estágios e indo direto aos níveis mais altos do treinamento sem passarem pelos necessários passos anteriores de um processo mais físico e mecânico. Sem exceção, as tentativas que eu tenho encontrado de provocar esse salto, têm resultado em estudantes cujos movimentos são ocos, faltando a intenção necessária para executar a técnica nesse nível.

Então o que eu gostaria de fazer é enfatizar o que eu vejo (no estágio atual de meu próprio treino) como a progressão natural da técnica, partindo das bases, como dependente de um entendimento sólido da mecânica de como o corpo trabalha, de como utilizar o seu movimento para desenvolver força e como unir esse poder com o outro sem conflito. Aquele que avançou depende muito mais do aiki como interação do físico com o energético, o lugar no qual o corpo é afetado pela mente e a técnica se torna menos e menos física e mais uma questão do princípio em ação. Isso deveria possibilitar ao estudante de Aikido ver a relação entre os diferentes passos na progressão do básico ao avançado. Esta relação está presente igualmente nas técnicas de mão vazias e naquelas com armas.

O primeiro nível do treinamento é revelado via técnica estática. Este nível da técnica é designado para desenvolver uma compreensão da estrutura. Como alguém pode perceber o seu trabalho corporal e o trabalho corporal do parceiro? Para passar deste nível uma pessoa tem que compreender as mecânicas da arte, o componente do jiu-jutsu, por assim dizer. A pessoa precisa aprender a relaxar e entender a "geometria" básica da técnica. Nesse treino nós encorajamos o parceiro a ser o mais poderoso o possível, de forma que possamos receber o retorno no que concerne ao nosso "entendimento" tal como expresso por nossa técnica.

O próximo passo na progressão (que, geralmente, é realizado simultaneamente com o primeiro estágio) é a técnica em movimento. Ao mesmo tempo em que exige uma atenção contínua nas habilidades desenvolvidas via treino estático, o treino com movimento começa a ensinar como a manipulação do espaço (ma-ai) e do tempo (de-ai) pode ser utilizada para neutralizar o poder do atacante. O "centro" forte, desenvolvido através do treino estático agora aparece no movimento, onde quer que o praticante esteja, mesmo ao se mover, aquele sentimento do centro é mantido. Nesse estágio o nage permite ao uke iniciar um ataque e ele recebe o ataque utilizando o seu movimento para se unir ao ataque. A energia do ataque é, então, redireciona para dentro da estrutura do uke em técnicas de apreensão ou dentro dos pontos de equilíbrio do uke para uma técnica de projeção. É nesse estágio do treinamento que o estudante começa a trabalhar o conceito de como "conduzir" a energia ou a atenção do parceiro. Conduzir o Ki do oponente é um a das pedras fundamentais da técnica do Aikido.

Do ponto de vista marcial o nível anterior de treinamento é limitado no sentido que concede um poder considerável ao atacante ao permiti-lo decidir qual e quando um ataque se dará. Dado o fato de que todas as pessoas têm um certo tempo de reação entre perceberem alguma coisa e poderem agir ao que viram (cerca de meio segundo para a maior parte das pessoas), permitir ao atacante ter a iniciativa é dar a ele uma vantagem significativa. Isto é um problema, já que significa que, a) do início da técnica o nage está sendo re-ativo ao uke e, b) se o atacante escolhe utilizar menos do que o completo comprometimento na técnica tal como afrouxar, o uke pode fazer com que o nage se mova do modo que ele quiser e, de repente, mudar o ataque, fazendo, assim, com que a tentativa do nage de realizar a técnica seja falha.

Então o próximo nível da técnica muda quem tem a iniciativa. Agora o nage não ceita simplesmente o que é imposto pelo uke. Ele utiliza o seu próprio movimento para traçar uma reação do ataque no momento de escolha do nage. Se o nage fecha o ma-ai (espaço) com uke, ele irá atingir um ponto no qual o uke PRECISA estar comprometido com o seu ataque ou retornar. A falha em realizar uma dessas coisas irá resultar em ele ficar aberto a um ataque do nage. Uma vez que é o nage quem determina quando irá cruzar o ponto de ma-ai e chegar a "distância crítica" ele não tem "tempo de reação", porque ele sabe quando o uke está comprometido. Isto é muito importante no desenvolvimento de uma técnica marcial efetiva e precisa ser pesquisado com cuidado. A diferença entre este estágio e o último é que no último estágio o nage permitiu ao uke iniciar e agora ele dirige a "atenção" do uke segundo o seu próprio movimento. Nesse nível da técnica ele tem o controle do "tempo", manipulando o "espaço", o que faz com que considerações como "rápido e devagar" sejam irrelevantes para a técnica. O praticante começa a operar fora da zona temporal e ele começa a controlar as questões relativas ao tempo e ao espaço.

O que tem acontecido até agora no desenvolvimento desses "estágios" é que a técnica se torna progressivamente menos física à medida que os princípios de tempo e espaço são utilizados para moldar o movimento do atacante. No próximo nível da técnica o nage não apenas inicia a ação a fim de conduzir os movimento do uke, mas utiliza a energia de sua ação a fim de conduzir a resposta que o uke lhe dá. Nesse estágio da prática o atacante termina por ficar quase completamente sob a ação do nage. O nage está controlando as suas ações mesmo antes delas começarem a ocorrer. A técnica parece ser mais suave e mais energética do que poderosa e física embora, neste nível, seja sempre possível realizar uma técnica bastante poderosa se assim se desejar. Isto é realizado através da manifestação de princípios como atemi waza ao invés de técnicas de projeção e aprisionamento. Uma técnica marcial bem explosiva e efetiva pode ser gerada desta forma. Na prática, claro, atemi waza não é utilizado para infligir dano ou gerar desconforto físico. Ao contrário, isto é um modo de utilizar uma energia explosiva em potencial para gerar uma resposta do uke. Isso pode servir para distraí-lo e dissipar a sua energia da área do corpo na qual a técnica está sendo realizada (como numa técnica de apreensão) ou pode ser utilizado para tirar a sua atenção realizando uma entrada possível, sem ser atingido. Em outras palavras, neste nível da técnica o atemi diz respeito a dirigir a atenção ou a energia do parceiro em direção ao que ele deseja e para longe do que ele não deseja.Quando este nível de técnica é atingido, não existe quase contato físico que preceda o "lançamento". Uma técnica que havia sido, em sua forma básica, uma técnica que havia alguma forma de pegada, estaria ajustada ao tempo de tal maneira que não há maneira de se agarrar. Pode ou não haver uma intenção de se agarrar, mas a técnica genuína foi elevada a um estágio de energia no qual o ataque do parceiro é desviado pelo nage, então, conduzindo a atenção do atacante e produzindo movimento através da exposição das aberturas (suki) do oponente, o nage ganha controle sobre o centro do atacante sem manipula-lo fisicamente, mas ao contrário, criando uma situação na qual o atacante se move como deseja. Um atemi, que é colocado no espaço que o uke deseja ocupar para terminar o seu ataque irá resultar na perda de seu próprio equilíbrio a fim de escapar de ser atingido.

Quando esse nível de técnica é alcançado, a técnica é operada via princípio puro ao invés dos fatores físicos que produziram a técnica nos níveis mais básicos. Uma técnica como ryote-tori tenchi-nage, exemplifica o princípio da "dissipação" da energia (física ou mental) do parceiro. Quando a técnica finalmente atinge a sua expressão energética ela não precisa mais do ataque em ryote-tori. De fato o tenchi-nage pode ser realizado, por exemplo, contra um chute frontal. O tenchi existe na forma como a atenção do atacante é dissipada de seu alvo e direcionada para fora, permitindo ao nage entrar sem ser atingido. Mas esta manifestação do "princípio da dissipação" não pode ser conseguida sem um minucioso entendimento do princípio básico de execução da técnica. Isso não pode ser ignorado.

Quando a técnica é apresentada aos estudantes desta maneira, com variações progredindo das versões elementares, físicas e estáticas para as versões avançadas, energéticas e fluídas, isso pode ajudar o estudante a compreender tanto de onde uma técnica surge quanto para onde ela deve ir em seu desenvolvimento. Isto pode servir para desmistificar a energia envolvida nas técnicas avançadas uma vez que os princípios podem ser decodificados e ensinados, mas isso também mostra claramente quais os elementos que são essenciais em proporcionar os fundamentos de uma técnica antes que o movimento em direção a uma versão mais sofisticada possa ser realizado. Cada nível compreende um entendimento do nível anterior. Utilizando este tipo de metodologia talvez haja mais estudantes que atinjam os níveis mais altos desta arte criada para nós pelo Fundador do Aikido.

Novembro 2004

Sexta-feira, Abril 03, 2009

A Visão do Futuro

“Uma visão sem ação não passa de um sonho. Ação sem visão é só um passatempo. Mas uma visão com ação pode mudar o mundo.”
(Joel Barker)

As frases acima fecham com chave de ouro o excelente vídeo “A Visão do Futuro”, produzido por Joel Barker, o qual apresento ao final de algumas palestras devido ao seu incontestável poder reflexivo. Não há como ir para casa sem se perguntar: “O que estou fazendo comigo, com minha família, com minha carreira, para ser feliz?”.

A partir deste texto quero despertar em você a auto-reflexão sobre como tem tratado sua vida e sobre como você se imagina em um, cinco, dez e vinte e cinco anos.

Desejo que você desligue este piloto automático de sua existência, através do qual você não conduz, mas é conduzido por uma rotina por vezes sem saber para qual direção. E passe a vislumbrar diante de si apenas duas palavras: sonhos e futuro.

Futuro e Liderança

O futuro não é o lugar para onde estamos indo. É o lugar que estamos construindo e que dependerá daquilo que fizermos no presente. Por isso, a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.

Aqueles que constroem o próprio futuro constroem o futuro dos outros. A capacidade de empreender o próprio futuro está se tornando uma questão de sobrevivência. Administrar bem um negócio é administrar seu futuro. E administrar seu futuro é administrar informações. O futuro não é mais sobre tecnologia. É sobre informação processada como conhecimento. Se a história testemunhou a triste divisão entre nações ricas e pobres, o futuro pode nos reservar a separação entre as que sabem e as que não sabem.

Nenhuma empresa sobreviverá se depender de gênios para administrá-la. Ela precisa ser capaz de ser conduzida por seres humanos medianos. Lidar com gente já é difícil. Levar gente a enxergar o futuro é ainda mais difícil. Jack Welch colocou com propriedade que os gerentes fracos acabam com as empresas, acabam com os empregos. A melhor pessoa do mundo no negócio ou no cargo errado ainda tem alguma chance. O melhor negócio ou cargo do mundo com a pessoa errada não tem chance nenhuma.

Profissionais com perfil empreendedor são diferentes, pois onde todos vêem problemas, estes enxergam oportunidades. Viajam num carro chamado imaginação, tendo a criatividade como co-piloto, a meta como motor e a persistência como combustível. Sabem que só o melhor é suficiente e controlam direta ou indiretamente o destino de muitas pessoas. Fazê-las vibrar com a mesma intensidade com o intangível futuro criado em nossas mentes é missão suprema alcançável através da liderança. E o verdadeiro líder é aquele que consegue capilarizar esse sentimento nos grupos por onde passa.

Sonhos e Metas

O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos. E, parafraseando Victor Hugo, não há nada como um sonho para criar o futuro. Tudo isso pode parecer piegas, mas você deve monitorar seus passos em relação aos seus sonhos e nunca se afastar deles. Se preferir ser mais técnico e menos filosófico, substitua a palavra “sonhos” por “metas”. Mas siga sempre confiante em direção ao cumprimento de seus planos, reto como uma flecha, pois o que torna um sonho irrealizável é a inércia de quem o sonha. O homem nunca pode parar de sonhar. O sonho é o alimento da alma, como a comida é o alimento do corpo.

A maioria das pessoas toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo. Elas vêem as coisas e dizem o porquê delas. Já os vencedores dizem: “Por que não?”. Poucos aceitam o fardo da própria vitória; a maioria desiste dos sonhos quando eles se tornam possíveis. O primeiro sintoma de que estamos matando nossos sonhos é a falta de tempo. As pessoas mais ocupadas têm tempo para tudo. As que nada fazem estão habitualmente cansadas. Nunca temos tempo para fazer direito. Mas sempre temos tempo para fazer de novo...

“Eu tive um sonho de que meus quatro filhos um dia irão viver em uma nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter”. Quando Martin Luther King Jr. proferiu estas palavras em seu famoso discurso, encontrou grande resistência no seio de uma sociedade conservadora e racista que ainda hoje prima por ser preconceituosa. Seu pensamento “subversivo”, entretanto, encontrou aliados. King não pôde viver para presenciar o efeito de seus atos. Mas o tempo encarregou-se de concretizar seu sonho. Se não o de igualdade, ao menos o de oportunidade.

Quando ensinar, ensina também a duvidar do que ensina

Não precisamos saber nem “como”, nem “onde”, mas existe uma pergunta que todos nós devemos fazer quando começamos qualquer coisa: “Para que tenho que fazer isso?”. Voltando ao início deste texto, você conduz ou é conduzido? Você escolheu ou foi escolhido por sua profissão, por sua empresa?

Entre o certo e o errado há sempre espaço para erros maiores. A vida nem sempre é baseada nas respostas que recebemos, mas também nas perguntas que fazemos. Eu, particularmente, ao repassar minha vida, sinto que estive numa corrida de obstáculos, sendo eu, o maior de todos. A grande chave para a satisfação é algo que costumeiramente nos escapa. Não é conseguir o que queremos, mas sim querer aquilo que conseguimos.

Toda glória é fruto da ousadia. A ousadia de tentar ser melhor. Não é tarefa fácil, pois há sempre uma casca de banana à espreita de uma tragédia. E sombras são sempre negras, mesmo sendo de um cisne. Mas espero ver você refletindo sobre o que conversamos aqui hoje – sonhos, futuro, objetivos –, corrigindo sua rota e banhando-se nas águas permanentes da mudança.

Feliz de quem entende que é preciso mudar muito para ser sempre o mesmo.

PS: O texto utiliza frases de Amyr Klink, Arthur Schopenhauer, Clemente Nóbrega, Eleanor Roosevelt, Gandhi, Jack Parr, Paulo Coelho, Pedro Mandelli, Peter Drucker, Ronaldo Sardenberg, Tancredo Neves, Tom Morris.

Quarta-feira, Março 11, 2009

Ensinamento de Kawai Sensei - Harmonia

Aikido é a arte marcial cujo os movimentos mantém o corpo em plena condição física e harmonia com a natureza. Todos os movimentos são circulares pois não pretende vencer os outros, mas sim a si mesmo. Quando o praticante consegue chegar a este estágio está em completo domínio de si mesmo e passa a ser invencível.

Este é um ensinamento que devemos levar para fora do tatami. Além deste ensinamento acredito que todos devam seguir algumas regras básicas para praticar a harmonia:

- Nunca guardar rancor de ninguém;

- Interpretar as maledicências como uma fraqueza indisfarçavel daqueles que as emitem;

- Nunca deixar de trabalhar enquanto viver;

- Não lamentar a chegada da velhice;

- Não se considerar velho enquanto puder moviemntar o seu corpo;

- Defender a sua família acima de todas as coisas;

- Estar consciente que a soberba é a origem do fracasso;

- Não lamentar as coisas que deixou de fazer no passado;

- Encarar o fracasso como um ponto de partida para o sucesso;

- Honrar sempre seus compromissos;

- Ter sempre a coragem de reiniciar tudo, caso venha a perder toda a sua fortuna e títulos;

- Desenvolver de modo resoluto a confiança em si mesmo.
 
Este artigo foi uma contribuição de Nereu San de curitiba que nos mandou um recorte. Ele foi publicado originalmente no antigo boletim bimensal produzido por nagao sensei para a União Sul Americana..

A RESILIÊNCIA

Este artigo foi enviado por um professor amigo e eu já tinha lido sobre isso um tempo atrás. Concordo plenamente com ele:  UM PRATICANTE DE AIKIDO É RESILIENTE..... AIKIDO É RESILIÊNCIA.... Vejam por quê...
 
 
 
 

Resiliência: uma questão de vida e não de morte

Publicado em 10/03/2009 | BERNT ENTSCHEV

Comumente abordado em rodas de batepapo por aí afora, o termo resiliência tomou conta das preferências dos gestores e recrutadores de grandes empresas. Primeiramente, prefiro explicar de onde isso tudo surgiu. Resiliência é uma palavra proveniente do latim, resilire, que significa a capacidade de voltar ao estado original. Este termo foi importado pela física para definir aqueles materiais com essa capacidade, ou seja, além de resistirem a grandes choques, após passarem por uma forte dose de pressão, acabam voltando ao normal como se nada tivesse acontecido.

Trazendo-o para o mundo corporativo, os profissionais resilientes são, exatamente, aqueles que não se deixam abater por qualquer coisa e, independentemente do que acontece, estão sempre prontos para o que der e vier. Profissionais assim são capazes de trabalhar submetidos a pressões e aos curtos prazos de trabalho. E por que as empresas querem isso?

Como se tornar resiliente

- Encare os obstáculos como subsidio de crescimento pessoal e profissional;

- Antecipe-se quanto ao movimento do mercado e busque estratégias para superar as barreiras;

- Seja firme em suas decisões e imponha seu ponto de vista, sem se tornar inflexível;

- Estude e acumule conhecimentos para que estes o respalde num momento de crise.

Teste

Você é resiliente? Seja sincero consigo mesmo, pois essa é uma oportunidade de autoanálise. Marque as afirmações que se aplicam ao seu modo de pensar ou agir.

( ) Sinto que a empresa exige demais de mim, muito mais de que meus colegas.

( ) Costumo ser pego de surpresa em situações de mudança ou crise.

( ) Quando me deparo com uma situação de crise ou grande mudança, fico sem ação.

( ) Quando me deparo com uma situação de crise ou grande mudança, fico irritado.

( ) Algumas vezes percebo que é impossível atingir as metas, porém a empresa não vê da mesma forma.

( ) Em momentos que a empresa tem objetivos exageradamente ousados chego a perder a esperança de que estes sejam atingidos.

( ) Projetos de longo prazo, onde é difícil prever o resultado final, me deixam desmotivado.

( ) Às vezes acho que a empresa não compreende meu ponto de vista e me vê como pessimista.

( ) Existem obstáculos que acredito que não podem ser superados por mais competente que o profissional seja.

( ) Existem momentos em que necessito tomar uma decisão com tanta agilidade que acabo fazendo de forma impulsiva.

Se você marcou pelo menos 5 destas afirmações, é o momento de uma mudança de comportamento. Analise e procure identificar quais os principais fatores que lhe dificultam a ter uma postura mais aberta. Pense que essa mudança será importante para sua carreira profissional, para a empresa onde você trabalha, mas principalmente para as suas relações com as pessoas. Além disso, você se sentirá melhor consigo mesmo e mais disposto para enfrentar as pressões do dia a dia de trabalho.

Com o mundo corrido no qual vivemos, onde a concorrência briga ferozmente pelo nosso lugar, precisamos dar conta de atender às expectativas de nossos clientes sem que eles tenham tempo de observar que outra pessoa faz o mesmo trabalho que a gente. A pressão é forte e quanto mais pessoas engajadas em superar as barreiras e fazer acontecer, mais facilmente as batalhas serão conquistadas.

Neste mundo só terão vez aqueles que, de fato, não se deixarem abater por essa briga de egos e de poderes. Por isso muitos profissionais, o que é uma pena, acabam se deixando levar pela sede de vitória e põem tudo a perder, deixando de lado sua honestidade, e infiltrando-se num mundo de corrupção e trajetória suja.

O resiliente não age assim. Pelo contrário, ele vai em busca, briga pela vitória, dá a cara pra bater, porém dentro da mais perfeita ética. Mesmo porque o mercado é competitivo e não é por isso que a índole de cada indivíduo deve ser atingida. E, convenhamos, os profissionais que colocam como norteador a ética, sempre conseguem um sucesso mais prazeroso e duradouro. Não entendo como podem existir aqueles que não pensam desta maneira.

Vamos então, aos pontos chaves desse quebra-cabeças:

Uma das principais características que o resiliente possui é a capacidade que ele tem de planejar mudanças de acordo com as necessidades da empresa. Profissionais com esta capacidade conseguem vislumbrar melhor os objetivos da corporação e de criar estratégias para atingi-las. São dotados de um forte senso de crítica e possuem uma visão sistêmica aguçada, olhando de dentro para fora da organização e vice-versa. Seu poder de persuasão é, normalmente, forte, afinal são providos de bons argumentos. Aliás, exatamente por viverem além das pressões do dia-dia é que desenvolvem a aptidão de se manterem sempre atualizados com o movimento do mercado, o que aumenta desenfreadamente suas munições culturais.

As competências comportamentais e técnicas destes indivíduos são mantidas, independentemente do que ocorre externamente. Aconteça o que acontecer, eles estão sempre preparados para trabalhar mais e mais, para implementar sempre e para superar os percalços no caminho. São admiráveis em sua forma de trabalhar. É como se eles fossem esticados, pisoteados, amassados, queimados e, mesmo assim, mantêm-se firmes como antes. Pois, mesmo sob extrema pressão, não perdem suas características de honestidade e idoneidade. Alguns até são encarados como pessoas frias, pois não se abatem emocionalmente. Mas, na verdade, eles, normalmente, retiram das dificuldades a força que precisam para seguir em frente e crescer cada vez mais. Uma empresa nas mãos de um profissional assim tende a caminhar mais firmemente, sabendo a hora certa de investir, de contratar, demitir ou retrair.

Exatamente por causa dessa competência de superar os obstáculos que aparecem, depois de um tempo, os resilientes adquirem a capacidade de prever adversidades. Já conseguem antecipar o movimento do mercado e, o que é melhor, preparando-se para isso. Aquela história do "melhor prevenir do que remediar". Reparem, as empresas que menos têm sofrido por causa da crise são aquelas que têm à sua frente pessoas extremamente visionárias e resilientes.

Falando em crise, quem será que se sairá melhor quando ela passar? Depois disso tudo, creio que a resposta seja desnecessária, mesmo assim arrisco-me a explanar brevemente a situação. A crise veio brava e tem colocado sob pressão empresas e profissionais de todo o mundo. Há aqueles que se desesperam e metem os pés pelas mãos, demitindo em massa, desfazendo-se de cargos estratégicos e deixando de fazer investimentos. Já os resilientes, se fazem isso, é porque depois de muito estudo chegaram a um consenso de que essa seria a melhor saída, já antevendo os impactos que a recessão mundial irá causar nos segmentos correlacionados aos seus. Os resultados dessas tomadas de decisões só serão vistos depois do furacão, porém já conseguimos prever que estes indivíduos estarão firmes como rochas, mesmo depois das rasteiras desta crise. Já os demais.... bom, os demais saberemos identificar facilmente.